Pkena_notaveL
A metamorfose vital do ser humano num pequeno espaço de tempo dilatado,entre a adolescencência e a fase adulta,é um período terrível voltado tão dentro de mim mesma que por pouco já nem sei o que é exterior.
Nada é interessante. Acho-me tão medrosa que queria morar em uma ilha deserta. Sem contato com qualquer ser humano,com qualquer gênero humano. Deixe-me dizer,meus senhores. Isso está há dias sufocando-me e preciso cuspir para que não entupa de vez. Luto comigo mesma para escapar de alguma coisa,de uma lembrança mísera da infância,de uma vida que já passou e eu sei que agora eu preciso crescer,mas me é tão difícil. Volto cada vez mais para dentro de mim mesma,como uma borboleta que cresce para dentro do casulo.
Eu não quero me prender em pensamentos,em leis que eu criei,em conceitos furados de moral e vivência. Nem quero saber de outros que nem sabem de mim.

Aliás,quero saber tanto,mas só de pensar me desanima tão completamente só de saber que é tudo muito distante. Olhar o outro e tentar ver o que há de errado em mim. Mas eu me olho e vejo que sou um ninho de indecisões e insegurança. Não é sentir-se sozinha,nem rebeldia muito menos depressão.

Mas,esse afastamento me sufoca de tal maneira que eu já estou criando uma resistência. Isso soa meio estranho,mas... cada dia que passa o contato torna-se tão dificil pra mim. O contato,eu digo,muito além do simples toque e comunicação...

Mas o contato humano-humano de perceber o natural contato muito além de 1 a 1,mas dois por um. Um palhacinho de porcelana humano,tão alegre e divertido,mas que ao final ele sabe que é só ele.Ele por ele,ele por si só e por si próprio.É assim,porque tem que ser. A relação que mantemos numa sociedade é por puro interesse econômico num raio maior que nossa própria ambição,será realmente?
Existe a arte pela arte? O amor pelo amor? O que é amor aos pés do dinheiro desejado? E a distância? E o dois por um,num contato real ?


Sou eu por eu mesma? Levando em conta o meu "próprio" umbigo,são bilhões de pessoas pensando em si mesmas. E é justamente aí,nesse elo desligado,nessa chave quebrada que se rompe o verdadeiro contato.

É assim porque tem que ser?
Mesmo eu querendo,eu não faço.Mesmo eu fazendo eu não sei. E se eu soubesse,com certeza alguém não saberia...mas saberia outra coisa e assim sucessivamente. Já nem sei porque entrei nessa questão...
3 Responses
  1. eva Says:

    Um crescimento tão forçado, será mesmo que era aquele o tempo de crescer? Como saber? a gent vai seguindo durante muito tempo sem saber como até que num belo dia tropeçamos em nós mesmas e descobrimos um mundo desconhecido dentro de nós! Desvendá-lo talvez não seja tão "fácil" quanto essa dilatação que sofremos nessas tais fases da vida [adolescência/adulta].
    Mas nesse caso o que vale é saber que somos nós por nós mesmos!

    Isso ninguém tira! o/


    Olhe pra dentro de ti mesma mas não se deixe fechar no teu casulo, pelo contrário mostra ele ao mundo que só conseguiu ver a beleza das tuas asa de borboleta.


  2. "Olhe pra dentro de ti mesma mas não se deixe fechar no teu casulo, pelo contrário mostra ele ao mundo que só conseguiu ver a beleza das tuas asa de borboleta."

    além de lindo achei isso muito válido.

    engraçado, descobrir um mundo desconhecido dentro de nós mesmos... é , na verdade, não é nada fácil explora-lo e desvenda-lo... mas nada melhor do que uma árdua tarefa para fazer alguem sentir-se vivo novamente!


  3. eva Says:

    [mas nada melhor do que uma árdua tarefa para fazer alguem sentir-se vivo novamente!]

    Isso também é muito válido :)