Ontem, passei um bom tempo vendo fotos. Fotos antigas, de uns cinco ou sete anos atrás e, não sei exatamente por que aquilo me deixou num desânimo enorme. Sim, porque não existe nada mais depressivo que álbum de fotografia.
É difícil ver foto da gente. Quanto mais antiga, pior.
Quem nunca se encarou numa foto, principalmente nas de 3x4 , e depois ficou se lamentando “Meu Deus, como eu era ridículo!”?
Eu já,sempre.
O pior é pensar que, daqui a dois anos, você ira se encarar novamente numa foto tirada hoje e irá se surpreender novamente: “Meu Deus, como eu podia sair na rua assim?!”.
E você saía, e até fazia pose para foto, daquele jeito.
Daí tira uma conclusão, Estamos hoje, todos ridículos pensamos ridiculamente e agimos assim também. O problema é que a gente só vai perceber daqui a alguns anos. Aí já será tarde, tarde demais...
Às vezes, é engraçado, engraçado pensar quantas pessoas diferentes já fomos, quantos de nós já existiram e quantos de nós ainda estão por vir. Lembra daquela guria, que chegava em casa todos os finais de semana, já de madrugada, sempre bêbado? Era um outro você, um outro com o qual você já não tem mais afinidade alguma. São estranhos, já não se conhecem mais, não têm assunto para um bate-papo descontraído, informal. E aquela outra ali, sobre a cama de casal, chupeta na mão, bunda virada pro teto, sorrindo para a velha máquina fotográfica, sem um dente sequer na boca? (Onde mais eles poderiam estar, ou não, os dentes?) Aquele já foi você, um outro você. E pensar que a única recordação que sobrou daquele “seu outro” foi aquela velha foto. Na verdade, vocês nem se conheceram direito e, não fosse o retrato, jamais você saberia que ele existiu. É, acontece de sermos um estranho para nós mesmos.
Uma pessoa que passou sua vida toda isolada, sozinha numa ilha, sem contato algum com qualquer outro ser da mesma espécie, conheceu um número incrível de personalidades, do exótico ao pacato. Do inconseqüente ao intelectual. Impossível se lembrar de todos eles, daquele pessoal com o qual conviveu. Alguns, geralmente, deixam saudade.
Mas não pára por aí, existe um outro tipo de álbum de fotografia ainda mais soturno, melancólico mesmo. É aquele em que se pode apontar um punhado de gente que hoje só existe ali, no pedaço de papel revelado. E enquanto você vê a foto sabe que, naquele momento, a tia, o avô ou a avó está (ou estão) num cemitério, com aparência provavelmente nada agradável.
Acho mesmo é que as fotos são sinceras demais, duras demais, verdadeiras demais.
E assim não dá. Precisamos de alguém que minta pra nós.
É difícil ver foto da gente. Quanto mais antiga, pior.
Quem nunca se encarou numa foto, principalmente nas de 3x4 , e depois ficou se lamentando “Meu Deus, como eu era ridículo!”?
Eu já,sempre.
O pior é pensar que, daqui a dois anos, você ira se encarar novamente numa foto tirada hoje e irá se surpreender novamente: “Meu Deus, como eu podia sair na rua assim?!”.
E você saía, e até fazia pose para foto, daquele jeito.
Daí tira uma conclusão, Estamos hoje, todos ridículos pensamos ridiculamente e agimos assim também. O problema é que a gente só vai perceber daqui a alguns anos. Aí já será tarde, tarde demais...
Às vezes, é engraçado, engraçado pensar quantas pessoas diferentes já fomos, quantos de nós já existiram e quantos de nós ainda estão por vir. Lembra daquela guria, que chegava em casa todos os finais de semana, já de madrugada, sempre bêbado? Era um outro você, um outro com o qual você já não tem mais afinidade alguma. São estranhos, já não se conhecem mais, não têm assunto para um bate-papo descontraído, informal. E aquela outra ali, sobre a cama de casal, chupeta na mão, bunda virada pro teto, sorrindo para a velha máquina fotográfica, sem um dente sequer na boca? (Onde mais eles poderiam estar, ou não, os dentes?) Aquele já foi você, um outro você. E pensar que a única recordação que sobrou daquele “seu outro” foi aquela velha foto. Na verdade, vocês nem se conheceram direito e, não fosse o retrato, jamais você saberia que ele existiu. É, acontece de sermos um estranho para nós mesmos.
Uma pessoa que passou sua vida toda isolada, sozinha numa ilha, sem contato algum com qualquer outro ser da mesma espécie, conheceu um número incrível de personalidades, do exótico ao pacato. Do inconseqüente ao intelectual. Impossível se lembrar de todos eles, daquele pessoal com o qual conviveu. Alguns, geralmente, deixam saudade.
Mas não pára por aí, existe um outro tipo de álbum de fotografia ainda mais soturno, melancólico mesmo. É aquele em que se pode apontar um punhado de gente que hoje só existe ali, no pedaço de papel revelado. E enquanto você vê a foto sabe que, naquele momento, a tia, o avô ou a avó está (ou estão) num cemitério, com aparência provavelmente nada agradável.
Acho mesmo é que as fotos são sinceras demais, duras demais, verdadeiras demais.
E assim não dá. Precisamos de alguém que minta pra nós.

