Eu nem te amo
Respiro aliviada e sugo o máximo de você, pra ter a certeza absoluta de que não é você. Não sonhei com você.
E lá vinha você com aquele olhar apaixonado e, no minuto seguinte, frio. E me falando para eu não sofrer e para eu ir embora e para eu não esperar nada e logo depois depois para eu não desistir de você.
Me despedi, já sem aquela dor aterrorizante, das partes de você que mais amava e amo. Ainda que eu nem te ame mesmo. E entrei no ônibus já sem chorar. Os últimos meses sofrendo por você serviram ao menos para me secar por dentro.
Preciso me aliviar. Mas dou até risada porque acabaram os caminhos. O mundo não suporta mais esse meu não amor por você. Meus amigos espalmam a mão na minha cara e já vão logo adiantando que se eu pronunciar seu nome, eles vão embora sem nem olhar para trás. Remédios só me deixam com um bocejo químico e a boca do estômago triste, mas não tiram você do meu coração. E escrever, que sempre foi a única coisa que adiantava para os dias passarem menos absurdos, já se tornou algo ridículo. Escrever sobre você de novo? De novo? Tenho até vergonha. Nem eu suporto mais gostar de você. E olha que nem gosto.
É como se o mundo inteiro, os ventos, as ondas do mar, as criancinhas peladinhas brincando de construir castelinhos na areia , os carros correndo nas estradas, a chuva, os cartazes de filmes, o passarinho que canta todo dia de manhã na minha janela, um cara qualquer com quem eu fiquei (é todos eles parecem qualquer quando não são você). É como se o mundo inteiro me dissesse: “hei Mayara, ninguém agüenta mais esse assunto! Chega!”
E no meio da noite, quando eu decido que estou ótima afinal de contas tenho uma vida incrível e nem amava mesmo você, eu me lembro de umas coisas de mil anos e começo a amar você de um jeito que, infelizmente, não se parece em nada com pouco amor e não se parece em nada com algo prestes a acabar. Lembro de você me dizendo que eu era QUASE perfeita. Me dizendo que você era ‘ santinho’ e EU te perverti! lembro daquela ultima vez que agente se viu, você me perguntando as porcentagens da gente ficar.... E lembro o quanto eu ria disso! aliás, eu ria de tudo que saia de você.
E lembro da primeira vez que eu te vi e te achei meio feio, maluco, estranho e bebado. Até que você burlou todos os meus muros e grades e fez com que eu ficasse boba por você...
E então, no meio da noite, enquanto eu penso em tudo isso, eu pergunto ao mundo todo que não agüenta mais esse assunto. Ao mar, às criancinhas peladas, aos cartazes de filmes, ao passarinho, aos carros, à qualquer um...eu pergunto: por que é que vocês todos estão tão cinza?
Por que é que vocês não me ajudam?
Por que é que todos vocês também ficaram tão tristes quando ele foi embora?
Por que é que uma parte de todos vocês também morreram quando ele foi embora?
Por que nada e nem ninguém tem mais graça, por que nada e nem ninguém consegue preencher o vazio que ele deixou em mim?
Por que nada teve mais cor, quando ele se foi?
Respiro aliviada e sugo o máximo de você, pra ter a certeza absoluta de que não é você. Não sonhei com você.
E lá vinha você com aquele olhar apaixonado e, no minuto seguinte, frio. E me falando para eu não sofrer e para eu ir embora e para eu não esperar nada e logo depois depois para eu não desistir de você.
Me despedi, já sem aquela dor aterrorizante, das partes de você que mais amava e amo. Ainda que eu nem te ame mesmo. E entrei no ônibus já sem chorar. Os últimos meses sofrendo por você serviram ao menos para me secar por dentro.
Preciso me aliviar. Mas dou até risada porque acabaram os caminhos. O mundo não suporta mais esse meu não amor por você. Meus amigos espalmam a mão na minha cara e já vão logo adiantando que se eu pronunciar seu nome, eles vão embora sem nem olhar para trás. Remédios só me deixam com um bocejo químico e a boca do estômago triste, mas não tiram você do meu coração. E escrever, que sempre foi a única coisa que adiantava para os dias passarem menos absurdos, já se tornou algo ridículo. Escrever sobre você de novo? De novo? Tenho até vergonha. Nem eu suporto mais gostar de você. E olha que nem gosto.
É como se o mundo inteiro, os ventos, as ondas do mar, as criancinhas peladinhas brincando de construir castelinhos na areia , os carros correndo nas estradas, a chuva, os cartazes de filmes, o passarinho que canta todo dia de manhã na minha janela, um cara qualquer com quem eu fiquei (é todos eles parecem qualquer quando não são você). É como se o mundo inteiro me dissesse: “hei Mayara, ninguém agüenta mais esse assunto! Chega!”
E no meio da noite, quando eu decido que estou ótima afinal de contas tenho uma vida incrível e nem amava mesmo você, eu me lembro de umas coisas de mil anos e começo a amar você de um jeito que, infelizmente, não se parece em nada com pouco amor e não se parece em nada com algo prestes a acabar. Lembro de você me dizendo que eu era QUASE perfeita. Me dizendo que você era ‘ santinho’ e EU te perverti! lembro daquela ultima vez que agente se viu, você me perguntando as porcentagens da gente ficar.... E lembro o quanto eu ria disso! aliás, eu ria de tudo que saia de você.
E lembro da primeira vez que eu te vi e te achei meio feio, maluco, estranho e bebado. Até que você burlou todos os meus muros e grades e fez com que eu ficasse boba por você...
E então, no meio da noite, enquanto eu penso em tudo isso, eu pergunto ao mundo todo que não agüenta mais esse assunto. Ao mar, às criancinhas peladas, aos cartazes de filmes, ao passarinho, aos carros, à qualquer um...eu pergunto: por que é que vocês todos estão tão cinza?
Por que é que vocês não me ajudam?
Por que é que todos vocês também ficaram tão tristes quando ele foi embora?
Por que é que uma parte de todos vocês também morreram quando ele foi embora?
Por que nada e nem ninguém tem mais graça, por que nada e nem ninguém consegue preencher o vazio que ele deixou em mim?
Por que nada teve mais cor, quando ele se foi?

