Me vejo como me vejo. Me incomodei um pouco. Onde está minha inocência? Ainda vejo beleza em tudo. Mas essa selvageria humana. Um coração concreto pesando no meio das pedras urbanas. Uma nova fase, um novo ciclo. O vínculo. Me desato de tantos nós e me ato em outros. Outro ato. Um monólogo.
Sempre descubro novas maneiras de ficar sozinha. E foi isso que sempre me fez ir pra frente. Ou pra trás. Eu nunca sei direito. Também não deve importar muito avançar ou recuar, ou ficar. Contanto que você veja o pôr-do-sol. Que me interessa se um recua enquanto outro pula duas casas? Já joguei banco imobiliário e a vida é mais ou menos desse jeito, só que sem olhar antes o Sorte ou Revés. Reluto muito, mas o mundo acaba por não se moldar a mim. Me diluo. Dissolvo. Nunca. Sou eu mais maleável nesse espinho de roseira. E o bagaço da laranja. Dou duro pra me camuflar.
E de dançar sozinha com aquele vestido velho florido...
Muitos risos e caretas no espelho. Que delícia. Ai, menina, largue mão de ser daninha e vá estudar. E eu estudava. Largue mão de arte e vá tomar banho. E eu tomava. Largue mão, menina, de ser respondona. E eu não respondia. Tudo isso resultou nisto, mas até que me acho simpática, não posso negar. Não posso negar, falo o que eu quiser nessa porcaria, é tudo meu. E você pare de ser mimada, e eu não parava e apanhava de vara de marmelo, de cinta, de fio de rádio, de chinelo, de tapa, de tudo. Ai, como doía. Casca de ferida. Ou abria a bocão a chorar ou ficava séria, firme e forte, engolindo o choro. Ruindade. Já fiz minha mãe chorar. Já me fiz chorar.
A gente chora porque sente, ué. Porque dói. E quer coisa mais bonicta que doer? Quero. Lá vai: Não, não tem. Tudo dói. Dói de lindo, dói de triste, dói de felicidade, dói de dor mesmo, de barriga ou cabeça, dor de parto, dor por dor, dor-prazer e a dor de amor? Clássico e clichê. Dói de saudade, dói de arder o frio, dói o sol por muito tempo.Dor de morte. E dor de dente? Mas é que a gente reclama de tudo. Que diabos eu estou falando? Eu já tenho 21 anos, não sei nada, mas sei muita coisa, já tive todas essas dores, e quem não teve? A criança da quarta série? Faz-me rir. Na quarta série eu tinha dor de ouvido. Aposto. Nem na piscina eu ia. Na oitava eu já deveria ter dor de pseudo-amor. E dor de barriga? Até hoje.
Hoje tenho vinte e um anos e me levo no berço eterno da placenta materna. Por opção. É difícil, acredite, é muito difícil crescer. Mas continuo me alargando.
Hoje tenho vinte e um anos anos e parece que nem nasci.
E que tudo acontece aos 17: Escrevi cartas (ridículas) de amor aos dezessete, amei aos 17; sofri demais; Acabei o 2° grau aos 17, aos 17 estava coçando a mão pra fazer 18. Aos 18 eu queria voltar aos 15. Mas nem sempre. Aos 17 eu comecei a escrever pra mim,Aos 17 ainda chorei em posição fetal debaixo do chuveiro, Ah! meus dramas! Aos 17 eu já conhecia Chico Buarque, Li Lolita aos 17. Reli aos 18. E tentei reler aos 19. Metade. Matava aula aos 17 e ficava na biblioteca.
fiz arroz, lavei o quintal, escrevi, asneiras, mas escrevi. E tudo tudo tudo. Mas eu já tinha vida. Sim, havia vida antes do 17. E como havia! Mas aos 17 eu comecei esse vínculo comigo mesma que se une mais e mais. Não é o vínculo teatral, mas é o vínculo visceral. A droga literária. Doses irremediáveis de palavras. Aos 17 eu escrevia sobre a surrealidade absurda e inútil do pensamento sobre um copo com água. Eu acho isso bárbaro. Bárbaro em todos os sentidos possíveis. E me acompanhar até aqui, até essa porta escura que é o amanhã e a penumbra de hoje, é como enfiar uma lanterna na janela de ontem e ver foco por foco cada chaga do meu corpo. Corpo novo. Mas já tão velho, em sentidos grandes. E tudo, abusivamente, não faz, talvez, sentido nenhum. Mas que eu cresço e preencho cada vez mais as páginas da minha tortuosa vida com letras vagas, aleatórias. Mas que nem eu sei o que é, mas é. É uma pétala que fica em cada página. Uma gota de sangue ( em cada poema), e não é de guerra. A engrenagem linfática de tudo o que é torto e não se arruma. Mas o que é reto nessa fajuta trajetória vital?
Aos 21 eu ainda continuo fazendo as mesmas enfadonhas coisas, mas é aí que está, com outros olhares. Talvez, mais sujos ou mais largos? Minha cara, quanta consciência há nisso tudo.
Sempre descubro novas maneiras de ficar sozinha. E foi isso que sempre me fez ir pra frente. Ou pra trás. Eu nunca sei direito. Também não deve importar muito avançar ou recuar, ou ficar. Contanto que você veja o pôr-do-sol. Que me interessa se um recua enquanto outro pula duas casas? Já joguei banco imobiliário e a vida é mais ou menos desse jeito, só que sem olhar antes o Sorte ou Revés. Reluto muito, mas o mundo acaba por não se moldar a mim. Me diluo. Dissolvo. Nunca. Sou eu mais maleável nesse espinho de roseira. E o bagaço da laranja. Dou duro pra me camuflar.
E de dançar sozinha com aquele vestido velho florido...
Muitos risos e caretas no espelho. Que delícia. Ai, menina, largue mão de ser daninha e vá estudar. E eu estudava. Largue mão de arte e vá tomar banho. E eu tomava. Largue mão, menina, de ser respondona. E eu não respondia. Tudo isso resultou nisto, mas até que me acho simpática, não posso negar. Não posso negar, falo o que eu quiser nessa porcaria, é tudo meu. E você pare de ser mimada, e eu não parava e apanhava de vara de marmelo, de cinta, de fio de rádio, de chinelo, de tapa, de tudo. Ai, como doía. Casca de ferida. Ou abria a bocão a chorar ou ficava séria, firme e forte, engolindo o choro. Ruindade. Já fiz minha mãe chorar. Já me fiz chorar.
A gente chora porque sente, ué. Porque dói. E quer coisa mais bonicta que doer? Quero. Lá vai: Não, não tem. Tudo dói. Dói de lindo, dói de triste, dói de felicidade, dói de dor mesmo, de barriga ou cabeça, dor de parto, dor por dor, dor-prazer e a dor de amor? Clássico e clichê. Dói de saudade, dói de arder o frio, dói o sol por muito tempo.Dor de morte. E dor de dente? Mas é que a gente reclama de tudo. Que diabos eu estou falando? Eu já tenho 21 anos, não sei nada, mas sei muita coisa, já tive todas essas dores, e quem não teve? A criança da quarta série? Faz-me rir. Na quarta série eu tinha dor de ouvido. Aposto. Nem na piscina eu ia. Na oitava eu já deveria ter dor de pseudo-amor. E dor de barriga? Até hoje.
Hoje tenho vinte e um anos e me levo no berço eterno da placenta materna. Por opção. É difícil, acredite, é muito difícil crescer. Mas continuo me alargando.
Hoje tenho vinte e um anos anos e parece que nem nasci.
E que tudo acontece aos 17: Escrevi cartas (ridículas) de amor aos dezessete, amei aos 17; sofri demais; Acabei o 2° grau aos 17, aos 17 estava coçando a mão pra fazer 18. Aos 18 eu queria voltar aos 15. Mas nem sempre. Aos 17 eu comecei a escrever pra mim,Aos 17 ainda chorei em posição fetal debaixo do chuveiro, Ah! meus dramas! Aos 17 eu já conhecia Chico Buarque, Li Lolita aos 17. Reli aos 18. E tentei reler aos 19. Metade. Matava aula aos 17 e ficava na biblioteca.
fiz arroz, lavei o quintal, escrevi, asneiras, mas escrevi. E tudo tudo tudo. Mas eu já tinha vida. Sim, havia vida antes do 17. E como havia! Mas aos 17 eu comecei esse vínculo comigo mesma que se une mais e mais. Não é o vínculo teatral, mas é o vínculo visceral. A droga literária. Doses irremediáveis de palavras. Aos 17 eu escrevia sobre a surrealidade absurda e inútil do pensamento sobre um copo com água. Eu acho isso bárbaro. Bárbaro em todos os sentidos possíveis. E me acompanhar até aqui, até essa porta escura que é o amanhã e a penumbra de hoje, é como enfiar uma lanterna na janela de ontem e ver foco por foco cada chaga do meu corpo. Corpo novo. Mas já tão velho, em sentidos grandes. E tudo, abusivamente, não faz, talvez, sentido nenhum. Mas que eu cresço e preencho cada vez mais as páginas da minha tortuosa vida com letras vagas, aleatórias. Mas que nem eu sei o que é, mas é. É uma pétala que fica em cada página. Uma gota de sangue ( em cada poema), e não é de guerra. A engrenagem linfática de tudo o que é torto e não se arruma. Mas o que é reto nessa fajuta trajetória vital?
Aos 21 eu ainda continuo fazendo as mesmas enfadonhas coisas, mas é aí que está, com outros olhares. Talvez, mais sujos ou mais largos? Minha cara, quanta consciência há nisso tudo.

