Pkena_notaveL
Olhei pelo olho mágico da porta. Ninguém. Talvez eu estivesse esperando uma visita sem aviso, uma pessoa , pra sentar comigo no chão do quarto vazio de onde se ouve o eco das vozes felinas, miadas, engasgadas. Talvez eu estivesse esperando o síndico vindo reclamar das almofadas na janela. ' depois de tudo ainda ser feliz, mas já não há caminhos pra voltar' lá lá lá. Esperei que alguém batesse na porta. Esperando. Esperando. Esperando. Nunca fui ao encontro, nunca me dei por quem toma a iniciativa de alguma coisa. Isso em tudo. Lugares, pessoas, caneca de plástico. Sempre tiro o sapato e jogo os pés pra cima, pra me sentir em casa. E depois me mimo, com as mãos no cabelo, um sorriso extasiante pra fugir da realidade. Me mimo pra não ter que me dilacerar porque alguém mais bateu a porta na minha cara. Porque o universo-sempre-conspira-contra-mim-quando-acho-que-tudo-está-nos-eixos.
O dia foi frio, mas eu estava tão quente, esperançosa, os pés fervendo. Sorri feito criança. Que dia errante. O céu azul parecia gozar inteiramente de mim. Não quis falar com deus, achei bobagem. Não entendi o que ele/eu queremos de mim e caminhei caminhei caminhei com o pé pesado. E eu queria estar sozinha pra poder ver as torres distorcidas pelas minhas lágrimas, as pessoas distorcidas por elas mesmas, a vida sempre absurda de me comer por dentro e por fora.
Mas sentei na cama, um ventinho entrando pela frestinha da janela que não quer fechar. Tirei a roupa, me embrulhei no edredon frio sem pensar em nada. Abri a janela, queria sentir o frio cortando meu corpo, os pêlos arrepiados, a vida passando doce por mim. a mesma. Sempre a mesma.
0 Responses