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Nostalgia. Essa é a palavra. Uma nostalgia muito boa, um frio na espinha, um sorriso sereno no rosto. Pensei em quem sou agora. Qual a trajetória de Mayara Sampaio nesses quase 20 anos? Tantas lembranças, tantos momentos, músicas, pessoas. tanta coisa vivida. Dou-me conta que não foi em vão, absolutamente nada. Cada perda e ganho.

Olhei para minha mãe e me senti invadida de um amor que nunca mais irá existir na face da Terra. Acariciei seus cabelos enquanto dormia, profunda e serena. As raízes brancas, a tintura saindo. Linda. Absurdamente linda. Deus me perdoe do fundo do meu coração de tê-la magoado algum dia. Dormia e nem me viu chegar mais cedo. Amo-a demais, que parece me invadir, me transbordar, explodir. Ela, como pessoa, como mãe, como mulher, como filha, como irmã, é a mais bela, de uma grandeza tão, mas tão grande que é incontável. Ela me faz acreditar na bondade das pessoas. Ela me faz olhar o mundo de outra maneira. Carregou-me durante meses, anos e ainda me carrega como se eu fosse um bebê indefeso, e não deixo de ser na verdade. Somos tão frágeis e eu sinto às vezes o quão ela é fraca e sensível, mas ela parece ter uma força que surge dos céus e da terra e do fogo, e o coração dela que é imeeeenso gigantesco que cabe o mundo todo com todas as pessoas. Queria que ela soubesse que ela é a melhor mãe do mundo e que a amo muito, mas é um Amor que não se mede sabe, em palavras, eu apenas Eu te Amo. É um Amor Único, de feto, de uma única linha entre eu e ela.

Choro agora de felicidade. Dentro de mim está tudo tão calmo. Não tenho pressa também..
Ouço músicas antigas, não são antigas, mas da época que eu já tinha nascido e sabia distingui-las. Cada uma me lembra um momento. Vou transitando entre infância e adolescência e o meu hoje. Eu gosto de me resgatar nessas lembranças. Às vezes penso que mudei muito, às vezes penso que não mudei nada. Mas penso que cresci na hora certa. As músicas me falam coisas que eu pareço ver.
É uma nostalgia boa, eu disse. Não pude não chorar. Há ainda aquela criança em mim. Não nego. Jamais neguei, por mais difícil que fosse crescer, por mais difícil que seja crescer. Aquela criança que fala sozinha atoa, assuntos alheios, coisas imaginárias. Aquela que ainda pinta a parede, gosta de desenho, chocolate, bolacha recheada, salgadinhos, yakult. A criança que joga videogame e futebol na rua com os meninos. Essa Mayara fica sempre, sempre, sempre.
Estou feliz, estou calma.

Minhas fotos, minhas palavras. Tudo tão meu e do mundo. Mais meu que do mundo.

Mas eu disse que era uma nostalgia muito boa, de sorrir de leve e pensar que o mundo é realmente a coisa mais boba que nos engana.
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