Pkena_notaveL
Não resisti. Lutei contra mim mesma para não expressar nenhum sentimento e esquecer o que quer que tenha acontecido. Mas não aguentei. Amanheceu chovendo e dias assim parecem que cravam uma faca no meu coração ardente e ficam cutucando para ver se sai sangue ou água. Dias chuvosos são tristes ... . Passei os últimos dias do outono sozinha, mas já parecia ser uma estação indefinida, misturado ao meu último dia. Chover era a última coisa que eu queria.
Não havia maneira, lugar, ideia, pessoa ou céu azul que me fizesse crer em um dia feliz.
Andei tanto... Minha cabeça parecia que ia explodir, aí eu me acalmava por breves segundos, e depois uma bigorna caía sobre mim. Já não acho mais nada de nada. Tudo corre absurdo e muito, muito muito surreal. Queria sair do meu corpo, viajar bem longe.

Já disse tantas vezes que acho que nunca superei perder as pessoas, e essa pequenez, essa ironia do destino me deixa me sentindo como uma ameba esmagada. O que somos, afinal? Não podemos controlar nem nossa vida. Somos pequenos. Somos algo jogado no vento, nem podemos nos medir. Somos livres... até que ponto? Até que ponto, meu Deus, não somos nós mesmos? não somos nós que decidimos se vamos beber água ou rabiscar um sol.
Pensei tanta coisa, sabe. Relembrei outras. Era tudo tão branco. Tudo parecia dar certo, caminhando como nunca antes minha vida havia ido. Como nunca antes minha vida havia dado certo com alguém. E meu coração escorreu pelo ralo.
O que me resta é sempre esse amargo meio doce da vida, essas palavras mudas e esse sonho ardente. Indiscutivelmente são pedaços de mim, feito metade de amor e metade poeira.
um fio de cabelo que fosse.

E ainda metade é amor... e a outra é poeira.
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